Daniele Madureira, de São Paulo
09/06/2008
O mote "papai-mamãe não!", tema da campanha da rede C&A para o Dia dos Namorados, foi substituído depois de a empresa receber notificações do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). As entidades consideraram tema com "apelo sexual abusivo".
A transmissão dos comerciais já havia sido interrompida na sexta-feira, um dia depois de o Conar emitir medida liminar de sustação da campanha, acatada pelos veículos de mídia. Na sexta, o Idec também pediu a suspensão. Enquanto isso, a DM9DDB, agência da C&A, preparava mudanças na comunicação, que passa a ter como mote o "pagamento parcelado".
Segundo o Conar, cerca de 50 queixas chegaram à entidade na semana passada contra a C&A. Muitos pais questionaram o conteúdo da propaganda, que apresentava casais em atitude sensual, incentivados a abandonar os presentes triviais, ou "papai-mamãe", para apostar em opções ousadas. "A comunicação nos pontos-de-venda era ainda mais explícita, com ícones que sugeriam posições sexuais", diz o advogado Marcos Pó, do Idec. As crianças, que não conhecem a expressão, ficam curiosas em saber do que se trata, enquanto aqueles que entendem o trocadilho são incentivados ao sexo, o que vai contra as regras do próprio Conar, afirma Pó.
Por meio da sua assessoria de imprensa, a C&A divulgou nota informando que havia recolhido todo o material disponível em suas lojas e feito alterações nos comerciais de TV. "Reforçamos que, em nenhum momento, a C&A teve a intenção de provocar constrangimento", informa o comunicado.
Também na sexta-feira a subsidiária brasileira da multinacional americana Kraft Foods foi notificada pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, devido à campanha "Frutrição", nova assinatura do refresco em pó Tang. No filme, de autoria da Ogilvy, quatro crianças falam de tristeza e só se animam depois de participar da promoção que sorteia prêmios a quem enviar um envelope com cinco códigos de barra da marca.
De acordo com a entidade, "o filme abusa da credulidade e suscetibilidade das crianças brasileiras", além de estimular "o consumo excessivo de bebidas industrializadas". Procurada pelo Valor, a Kraft informou que não vai tirar a campanha do ar, por entender que "não há qualquer irregularidade" no filme ou na promoção.
O Projeto Criança e Consumo, por sua vez, lembra que a Kraft assinou, em julho do ano passado, o código de auto-regulamentação da Children's Advertising Review Unit (Caru), uma espécie de Conar para campanhas infantis nos Estados Unidos, em que se comprometeu a restringir publicidade para menores de 12 anos. O Projeto e o Idec enviaram uma carta à Kraft Brasil perguntando se o compromisso seria válido para o território brasileiro. "Até hoje eles não nos responderam", afirma Pó, do Idec.
09 junho 2008
Casas Bahia investe R$ 1 bilhão em mídia
Valor Econômico 09/06/2008 12:30
SÃO PAULO - Os três maiores anunciantes do país continuam os mesmos - Casas Bahia, Unilever e AmBev, ordem que se repete desde 2003 -, mas ao analisar o investimento publicitário por atividade econômica, muita coisa mudou em 2007.
É o que se conclui do Projeto Inter-Meios, relatório de investimento em mídia produzido pela PricewaterhouseCoopers para a editora Meio & Mensagem. O levantamento lista os 300 maiores anunciantes do país, que aplicaram juntos R$ 10,25 bilhões em 2007. Só a Casas Bahia injetou um décimo disso, batendo pela primeira vez a casa do bilhão (R$ 1,002 bilhão).
No varejo, a baiana Insinuante passou à frente do Grupo Pão de Açúcar e investiu R$ 142,7 milhões em 2007 (30% a mais), enquanto a verba do concorrente caiu 15%, para R$ 134,2 milhões.
No ranking geral, o Pão de Açúcar foi do quarto para o 13º lugar. Quem também enxugou verbas foi o Itaú: queda de 25% para R$ 106,6 milhões, que o levou do oitavo para o 18º lugar. O Bradesco, por sua vez, subiu quatro posições (da 10ª para a sexta). O Real manteve o 25º lugar, enquanto o HSBC arrancou, partindo da 44ª à 27ª posição (R$ 88,4 milhões), à frente do Santander (que caiu do 22º para o 38º lugar)." As mudanças acontecem nos setores que vêm registrando maior competição " , diz Salles Neto, presidente do Meio & Mensagem.
Em higiene pessoal e beleza, a Johnson & Johnson deu um impulso de 120% na verba, para R$ 61,5 milhões (foi da 75ª para a 37ª posição). Com exceção da Fiat (quinta maior anunciante), as montadoras também mudaram de lugar: Ford subiu três posições (4º lugar), passando à frente da Fiat e da GM, que caiu quatro degraus (10º lugar). A Volks subiu dois (14º). Entre os anunciantes do governo, a Caixa Econômica Federal continua líder (R$ 229,9 milhões), seguida por Petrobras (R$ 160,7 milhões) e Banco do Brasil (R$ 148,4 milhões).
Em São Paulo, o salto se deu na Prefeitura da capital, da ordem de 32%, para R$ 25,2 milhões, perto do que investiu o governo paulista (R$ 27,3 milhões), cuja verba caiu 39%.
Daniele Madureira Valor Econômico
SÃO PAULO - Os três maiores anunciantes do país continuam os mesmos - Casas Bahia, Unilever e AmBev, ordem que se repete desde 2003 -, mas ao analisar o investimento publicitário por atividade econômica, muita coisa mudou em 2007.
É o que se conclui do Projeto Inter-Meios, relatório de investimento em mídia produzido pela PricewaterhouseCoopers para a editora Meio & Mensagem. O levantamento lista os 300 maiores anunciantes do país, que aplicaram juntos R$ 10,25 bilhões em 2007. Só a Casas Bahia injetou um décimo disso, batendo pela primeira vez a casa do bilhão (R$ 1,002 bilhão).
No varejo, a baiana Insinuante passou à frente do Grupo Pão de Açúcar e investiu R$ 142,7 milhões em 2007 (30% a mais), enquanto a verba do concorrente caiu 15%, para R$ 134,2 milhões.
No ranking geral, o Pão de Açúcar foi do quarto para o 13º lugar. Quem também enxugou verbas foi o Itaú: queda de 25% para R$ 106,6 milhões, que o levou do oitavo para o 18º lugar. O Bradesco, por sua vez, subiu quatro posições (da 10ª para a sexta). O Real manteve o 25º lugar, enquanto o HSBC arrancou, partindo da 44ª à 27ª posição (R$ 88,4 milhões), à frente do Santander (que caiu do 22º para o 38º lugar)." As mudanças acontecem nos setores que vêm registrando maior competição " , diz Salles Neto, presidente do Meio & Mensagem.
Em higiene pessoal e beleza, a Johnson & Johnson deu um impulso de 120% na verba, para R$ 61,5 milhões (foi da 75ª para a 37ª posição). Com exceção da Fiat (quinta maior anunciante), as montadoras também mudaram de lugar: Ford subiu três posições (4º lugar), passando à frente da Fiat e da GM, que caiu quatro degraus (10º lugar). A Volks subiu dois (14º). Entre os anunciantes do governo, a Caixa Econômica Federal continua líder (R$ 229,9 milhões), seguida por Petrobras (R$ 160,7 milhões) e Banco do Brasil (R$ 148,4 milhões).
Em São Paulo, o salto se deu na Prefeitura da capital, da ordem de 32%, para R$ 25,2 milhões, perto do que investiu o governo paulista (R$ 27,3 milhões), cuja verba caiu 39%.
Daniele Madureira Valor Econômico
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